Gmail e outros serviços de email não são gratuitos

A verdade é: nem o Gmail nem outros serviços de email são totalmente gratuitos. Mas se a nível legal estes serviços não podem ser cobrados,…

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A verdade é: nem o Gmail nem outros serviços de email são totalmente gratuitos. Mas se a nível legal estes serviços não podem ser cobrados, como é efetuado o pagamento?

O popular de serviço de email produto da Google, o tão conhecido Gmail, que completou terça-feira o seu 10º aniversário, não pode legalmente cobrar o serviço de envio de mensagens, contudo, será que não existem outras formas de o fazer?

É claro que sim. Apesar de não ser cobrado um valor pela utilização, a empresa recolhe o seu pagamento através da criação de uma gigante base de dados de informações pessoais, das pessoas que usam o serviço.

Com uma estimativa de mais de 500 milhões de utilizadores, o Gmail nasceu e cresceu com o objetivo de dominar o mundo do web-mail, e deparou-se várias vezes com problemas relacionados com a política de privacidade dos seus utilizadores.

Atualmente, a empresa depara-se com várias ações judiciais, tanto na Europa como nos Estados Unidos, sendo acusada de escutas ilegais e recolha de conteúdo digitalizado nos emails enviados através da plataforma.

Contudo, a recolha de dados pessoais não é a única fonte de receitas deste serviço de emails. O facto de possibilitar um conhecimento aprofundado dos utilizadores, permite à Google a partilha de anúncios relevantes para cada tipo de utilizador.

Esta forma de “pagamento” traduziu-se, apenas em 2013, numa receita bruta de 16, 86 biliões de dólares, que deve ser analisada mais aprofundadamente:

Conteúdo enviado e anúncios relevantes no Gmail

Ao contrário do que grande parte dos utilizadores comuns pensam, o Gmail procura identificar palavras chave nos tópicos de discussão mais abordados por cada um, e com base na sua frequência e contexto, faz aparecer anúncios relacionados que podem ser relevantes para o utilizador em questão.

Por exemplo, uma simples discussão entre amigos sobre uma aula de spinning, pode desencadear o recebimento de anúncios de produtos para emagrecimento ou materiais desportivos.

Curioso, não é? Mas não fica por aqui. Os dados recolhidos através dos emails são também utilizados para a criação de bases de dados com definição do perfil do utilizador, que permite a criação de anúncios segmentados, no futuro.

O que muitos utilizadores não têm em conta é que, empresas como a Google, podem criar perfis completos de cada utilizador que utilizam todas as plataformas que fazem parte da empresa, como: motor de busca, rede social Google Plus (+), Google Maps, Gmail, etc.

A verdade é que todos os utilizadores, de todas as plataformas como Google (neste caso específico o Gmail), o Yahoo e contas de Facebook são alvo de recolha de dados para criação de grandes bases de perfis de utilizadores.

À medida que enviam mensagens, através de qualquer tipo de serviço de email, os utilizadores estão a partilhar com as respetivas empresas os seus dados, interesses e gostos.

Informação que, à primeira vista pode parecer banal, mas que é extremamente relevante para as empresas que compram e vendem bases de dados para efetuar campanhas de anúncios online segmentadas.

Desta forma, estas bases são sem dúvida fulcrais para o trabalho dos marketers, que conseguem mais rapidamente compreender o seu público alvo e sobretudo atingi-lo da melhor forma.

Através da popularização do Gmail, os anúncios segmentados e direcionados a um público específico e desenvolvidos sobre as bases de dados dos perfis dos utilizadores, tornaram-se um modelo de negócio primário para muitas empresas – através do email marketing.

Contudo, a verdade é que não só a Google enfrenta atualmente ações judicias relacionadas com esta questão, também diversas redes sociais como LinkedIn e Facebook e outros motores de busca com o Yahoo fazem parte do rol de empresas acusadas de violação de privacidade.

A verdade ainda é que, qualquer empresa que colete informações pessoais sobre os seus utilizadores deve, no mínimo, informá-los e aconselhá-los a ler as políticas de privacidade e termos e condições de utilização antes de clicar em “concordo”.

No entanto, apesar da disponibilização deste dois documentos por parte das mesmas empresas, são ainda muitos os detalhes sobre o funcionamento do programa de recolha de informação que se encontram em sigilo.

Ações legais

A par da sua estreia em 2004, já estava definido que o Gmail revelaria anúncios contextuais direcionados aos seus utilizadores, com base nas informações disponibilizadas pelos mesmos.

Contudo, e mais uma vez, um dos problemas passa pela não leitura da política de privacidade do Gmail por parte dos seus utilizadores, que por isso desconhecem os trâmites legais da utilização deste serviço de email.

A Google tem defendido que esta análise aprofundada de verificação de emails é extremamente necessária para evitar o spam nas caixas de correio e para facilitar a filtração de emails por categorias.

O momento da mudança do Gmail

Quando o serviço Gmail foi lançado pela Google em 2004, as regras de coleta de informações não eram tão específicas como são atualmente. Por isso, pode-se afirmar que o mundo da privacidade mudou drasticamente nos últimos 10 anos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, já muitos estados aprovaram leis que restringem a utilização de informações pessoais, tendo vindo a perseguir empresas que violam a privacidade dos utilizadores.

Uma coisa é certa: a lei de privacidade de comunicação electrónica é ainda um tópico muito subjetivo em qualquer parte do mundo, não existindo legislação fixa para estas questões.

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