Psicologia das Cores

Design. -

Na hora de escolher cores para o desenvolvimento de um projeto, seja digital ou não, estas assumem um papel fulcral na forma como o utilizador interpreta e assimila informação.

“Color is mysterious, it escapes the definition: it is a subjective experience, a brain sensation that depends on three related and essential factors: light, an object and an observer.” – Enid Verity, Color Observed em 1980.

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O fascínio pela definição da cor já vem do tempo da Grécia clássica, com Aristóteles a teorizar o primeiro esquema de cores conhecido. Aristóteles comparava as cores com a música, pois pretendia criar definições para a lógica conceitual e acreditava que tinham sido enviadas do céu como raios “em certo sentido, a luz torna as cores potenciais em cores reais”, sendo assim, ele identificou quatro cores que correspondem aos elementos primários naturais: terra, ar, água e fogo.

Desde então, muitos outros cientistas e artistas revelaram interesse neste assunto, e com o passar dos anos, muitas outras teorias surgiram e com elas novas percepções, interpretações e definições para o tema.

Vejamos na prática de que forma estas teorias das cores influenciam o design gráfico. Em 1855, Hermann Helmholtz apontou magistralmente que “nunca percebemos os objetos do mundo externo diretamente. Pelo contrário, é apenas no nosso sistema nervoso que sentimos realmente o efeito desses objetos, e sempre assim foi, desde o primeiro momento da nossa vida”. São os efeitos especiais que as cores têm no nosso cérebro e a forma como os designers as usam nos seus projetos que determinam se o processo de escolha foi bem conseguido ou não.

Somos ensinados desde pequenos a distinguir e a identificar determinadas cores. O processo normal de aprendizagem deveria começar com o aprender a desenhar, seguidamente de alguma teoria de cor básica e só então pintar.

O simbologia das cores traz alguma controvérsia, pois cada cor é como uma moeda, com duas faces, positiva e negativa. Podemos então, afirmar que cada cor provoca uma determinada emoção, pensamento, reação, sentimento e atitude.

Sendo assim, tenhamos em conta os efeitos das seguintes cores:

Branco: Símbolo de toda a luz, é considerada a mais perfeita das cores, e a que, de uma maneira geral, menos sentimentos negativos transmite. Significa paz, perfeição, pureza, proteção, conforto, liberdade, inocência, otimismo, isolamento e frio.

Preto: Símbolo da morte, da ausência da cor e da escuridão, do mistério e do desconhecido, mas ao mesmo tempo, símbolo de elegância suprema e simplicidade. É a cor que absorve todos os raios luminosos, não refletindo nenhum e por isso aparece como privada de clareza.

Cinza: Cor de transição entre o branco e o preto. Indica neutralidade, discrição e indecisão. Pode ser muitas vezes diretamente relacionada com a velhice e ausência de energia. Contudo, também pode transmitir luxo, elegância e velocidade. Tanto na tecnologia como nos elementos futurísticos, o Cinza destaca-se, tornando cor predominante nestas áreas.

Vermelho: Estimulação, paixão, virilidade e perigo. Se por um lado, em Roma e Grécia antiga esta era a cor associada à guerra, por outro, é a cor utilizada nas vestes dos sacerdotes da Igreja Cristã. Se na Rússia é a cor da liberdade, na China é a cor habitual para vestidos de noiva. Pelos Estados Unidos, o Vermelho simboliza o amor, ação, dinamismo e poder. Por ser tão estimulante, é a cor que chega mais depressa aos olhos. As crianças tendem a ser mais atraídas e estimuladas por esta cor.

Amarelo: Esta cor está diretamente associada à luz do sol. Cor quente e expansiva, ativa a mente e abre-a para novas ideias, ajudando as pessoas que têm dificuldades em aprender. Normalmente utilizado em ambientes com pouca luz, o amarelo pode proporcionar uma sensação de espaço.

Azul: Conhecida como sendo a cor da lógica e da ponderação, o azul amplia os nossos horizontes resultando numa maior visão sobre o que nos rodeia. O azul pode ter grande influência no ambiente de trabalho, sendo que quanto mais intenso e carregado é, mais mostra o entusiasmo com que se dedica ao trabalho, esboçando a sua indiscutível originalidade e a sua necessidade de equilíbrio.

Verde: O verde significa juventude, frescura, vigor, esperança e calma. Associamos à natureza. É também, a cor que procuramos instintivamente quando estamos deprimidos ou acabámos de viver um trauma. O verde cria um sentimento de conforto, de calma e de paz interior, que nos faz sentir equilibrados interiormente. É como tomar um calmante para as emoções.

Vejamos um exemplo prático de como a escolha de cores pode pesar em todo o projeto, inclusivamente na influência que exerce sobre o cliente: uma clínica de estética para mulheres entre os 30 e 45 anos. Não vai querer escolher uma palete de cores quentes e vibrantes, mas sim cores que transmitam tranquilidade, cuidado e sensação de bem-estar. Se calhar, tons mais neutros, conjugados com uma fonte mais formal e elegante que suportem a mensagem da marca. Para garantir sustentabilidade, justifica-se o uso de elementos como flores, pássaros e borboletas.

Para se realizar um trabalho bem feito é preciso estudar o universo das cores, o que significam e de que forma influenciam a mente humana, para além disto, é fundamental compreender o que o cliente quer e que mensagem pretende transmitir para o público-alvo.

 


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